Logística

Cross-border: o que é, como fazer, vantagens e desvantagens

Postado por Mandaê

Atualizado em março 16, 2022 por Nuvemshop Acesso

 

O modelo cross-border ganha mais proporção entre os e-commerces à medida que o comércio evolui para além das fronteiras.

A troca de mercadorias e serviços realizada desde as primeiras comunidades agrárias, passando pelos fenícios e até mesmo pelos grandes navegadores, teve papel fundamental para o desenvolvimento da sociedade, principalmente pela troca de conhecimentos entre diferentes civilizações.

Com o passar do tempo, essas transações se tornaram cada vez mais complexas, mas ainda hoje são responsáveis pelo acesso a novos mercados e a expansão econômica, alcançando inclusive o comércio eletrônico mundial. Atualmente e-commerces de todos os cantos do globo passam por um novo momento, em que se debate cada vez mais as fronteiras da economia digital e novos acordos para vendas internacionais.

Com planejamento, empresas de qualquer porte podem se beneficiar desse momento do setor, basta ficar atento a todos os detalhes que envolvem o cross-border. Confira neste post!

O que é cross-border

Cross-border nada mais é do que a exportação, ou seja, e-commerces que realizam cross-border vendem seus produtos para outros países. Atualmente, quem deseja desenvolver alguma atividade de comércio fora do Brasil tem três possibilidades:

  • Abrir uma filial da empresa em outro país.
  • Realizar dropshipping internacional ou elencar alguém para revender sua marca em outro país.
  • Fazer cross-border.

A abertura de uma filial em outro país é a opção que envolve mais custos e detalhes legislativos, afinal, não basta apenas construir uma sede em uma nova localidade. Se você decide abrir um braço da sua empresa no Chile, por exemplo, precisa compreender como é a legislação desse país, suas leis trabalhistas, os custos de salário e transporte dos funcionários, além de todos os detalhes que envolvem a operação.

Com a segunda opção, dropshipping internacional, seus clientes e fornecedores estarão em um país diferente do que você estará. Isso obviamente pode ter impacto sobre a experiência de compra, já que é preciso assegurar a sincronicidade perfeita entre o estoque do fornecedor e o seu catálogo de produtos, efetuar a conversão correta da moeda entre os países, assim como garantir o completo alinhamento entre prazos e política de entrega.

Já a terceira opção, cross-border, é uma das principais tendências do comércio eletrônico. De acordo com dados da Research e Marketers sobre o B2C e e-commerce, prevê-se que o comércio internacional (cross-border) vai aumentar consideravelmente.

O estudo ainda aponta que as categorias vestuário e calçados continuam liderando como as mais compradas pelos consumidores online em todas as regiões do mundo. A principal razão para compradores online globais adquirirem um item diretamente de comerciantes estrangeiros é a vantagem de ter melhor disponibilidade e preços do produto. Em contrapartida, os principais obstáculos para as compras são os encargos alfandegários, custos de transporte mais elevados e prazos de entrega mais longos.

Então, como aproveitar essa tendência do setor para alcançar novos mercados e realizar essa atividade da melhor maneira possível? É o que veremos a seguir.

Como fazer cross-border

Para começar a vender seus produtos internacionalmente é preciso fazer um prévio planejamento para adaptar seu modelo de negócio aos requisitos do cross-border. Confira abaixo alguns pontos cruciais para alinhar e garantir a eficácia dessa estratégia.

Analise o mercado exterior

O primeiro passo para aproveitar a tendência de cross-border no e-commerce é analisar qual aderência e necessidade seu produto teria em determinado mercado estrangeiro. Se você tem um e-commerce de roupas femininas e deseja vender seus itens no Chile, por exemplo, precisa ponderar: como é a cultura e o comportamento do consumidor, será que as peças que você comercializa estão na moda lá ou vão despertar o interesse do público daquele país? Em quais regiões podem haver pessoas interessadas em seus produtos?

Depois de escolher os destinos que serão atendidos, faça uma análise de custo para a exportação e verifique se o modelo cross docking está dentro do orçamento da sua empresa. A Receita Federal disponibiliza um simulador, no qual é possível inserir a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) do produto, o valor aduaneiro (que é a base de cálculo do imposto de importação) e a moeda do país de destino. Com isso, você poderá estimar o valor que pagará para exportar, considerando os tributos e as taxas administrativas.

Aspectos legais de exportação

O segundo ponto é analisar como será realizado todo o processo de exportação. Quais são os impostos, exigências e documentos necessários para vender seus produtos para fora? Vale ressaltar que cada país tem regras específicas para o envio de encomendas internacionais, por isso é preciso estudar minuciosamente esse ponto.

Exportar produtos nem sempre significa pagar mais por isso, pelo contrário. De acordo com a Constituição Federal, a alíquota de ICMS, por exemplo, sobre a operação de uma venda originada no Brasil com destino ao exterior é zero.

De acordo com o portal, JusBrasil, isso foi determinado pelo Governo como forma de incentivo ao empresário brasileiro que tenha interesse em exportar, contribuindo assim com a economia do País.

Alinhe os processos logísticos

Para que o cross-border funcione perfeitamente, não depende só de você, mas também de terceiros. Portanto, para garantir a satisfação dos seus clientes e a qualidade de todo o processo de venda, faça uma seleção minuciosa dos seus parceiros. Para isso, decida primeiro se irá exportar de forma direta ou indireta.

A forma direta (ou ativa) é quando você se responsabiliza por todo o processo de envio até o cliente final. Por isso, é imprescindível contratar uma transportadora que não só ofereça preços razoáveis, mas principalmente cumpra com os prazos estipulados para envios internacionais e garanta a integridade da encomenda durante todo o trajeto. Além disso, é crucial alinhar o processo de logística reversa para ter uma política bem definida e garantir a confiabilidade por parte dos clientes.

Já na forma indireta, seus produtos são enviados por empresas intermediadoras que ficam responsáveis por todo o trâmite de exportação. Nesse caso, é preciso participar de um Consórcio de Exportação. Esse não é o modelo mais ideal justamente por eliminar o relacionamento direto com o consumidor, mas é muito comum.

Meios de pagamento adequados

Não adianta ter um processo bem alinhado se a experiência do cliente não for levada em consideração. Para isso, um dos principais pontos de atenção são as formas de pagamento oferecidas na loja virtual.

Considerando a compra de consumidores vindos de diversos países, ofereça a maior variedade possível de meios de pagamento ou aposte em alternativas que funcionem para todos.

O AliExpress, por exemplo, oferece o pagamento via cartão de crédito, débito online, transferência bancária, entre muitas outras opções. Note também que o valor do produto é sinalizado em dólar, mas abaixo mostra aproximadamente quanto esse valor será em reais, de acordo com a taxa de câmbio vigente.

Os métodos e processos de pagamento devem ser estipulados logo nos primeiros passos do seu planejamento cross-border. Sua loja virtual deve transparecer segurança e isso é especialmente importante nas vendas para outros países. Para isso, é possível terceirizar o processo de recebimento por meio de uma empresa integradora de meios de pagamento, que cuidará de toda a operação, inclusive assumindo riscos em casos de fraudes.

Em solo brasileiro, lojistas virtuais podem contar com a empresa EBANX, que tem revolucionado o mercado por possibilitar compras internacionais com métodos de pagamento local em mais de 200 sites pelo mundo.

Assim, o empreendedor possibilita ao cliente a compra e o pagamento do produto através de boleto bancário, transferência bancária e cartão de crédito, além de soluções como o EBANX Dollar Card, um cartão internacional, pré-pago e carregável com boleto bancário. Outro diferencial é que a empresa tem sua própria taxa de câmbio, que costuma ser abaixo da média do mercado. Essas ações conquistaram empresas de e-commerce, produtos e serviços, como AliExpress, Wish, Facebook, Sony, PlayStation e Spotify.

Outra alternativa para facilitar as compras realizadas em outros países é o pagamento via bitcoin. Por ser uma moeda virtual, não há fronteiras que diferem seu valor entre os países, sendo aceita no mundo todo.

Vale a pena fazer cross-border?

Com todos esses detalhes, você deve estar se perguntando: vale mesmo a pena fazer cross-border? Ou ainda: como fazer cross-border com todos esses custos e processos envolvidos?

Calma. Apesar de realmente exigir uma série de detalhes, já existem soluções no mercado para driblar esses desafios.

“Hoje nós temos soluções para saber qual será o custo que o comerciante vai pagar quando exportar um produto para a Rússia e qual será a carga de impostos se ele vender uma camiseta, por exemplo. Existem ferramentas para isso”, explica Julio Dantas, diretor comercial da Pitney Bowes, empresa que fornece ferramentas de dados para facilitar transações físicas e digitais entre diversos países.

Com soluções desse tipo, é possível incluir na loja virtual uma área de cálculo para o cliente verificar o preço do envio ao inserir o produto que deseja e sinalizar seu país de origem.

O valor é calculado com base no preço do frete e na taxa de exportação para aquela localidade. Além disso, o valor final pode sair mais barato do que se você enviar produtos para outro país por conta própria, já que empresas que oferecem esse serviço utilizam uma malha que agrega volumes de e-commerces de diferentes portes, o que torna o preço mais atrativo.

Essas soluções têm como principal vantagem evitar situações desagradáveis ao cliente, que pode comprar um produto de uma loja no exterior, pagar o valor informado no momento de fechamento do pedido e ainda assim, ao receber o objeto em sua casa, descobrir que foi taxado pelo frete e precisará pagar um valor não previsto anteriormente em decorrência dos impostos de exportação.

Outra alternativa é disponibilizar os produtos da sua loja virtual em marketplaces internacionais. Recentemente, o grupo Alibaba, que detém o AliExpress, informou que vai abrir uma plataforma B2B (business to business) de e-commerce para empresas brasileiras venderem na China.

Segundo estudo do Cuponation, atualmente o AliExpres é o quarto maior varejista online do Brasil, com 16,9 milhões de acessos ao mês. Globalmente, ele tem mais de 350 milhões de usuários ativos.

Cuidados para fidelizar clientes e evitar custos no cross-border

Transmitir credibilidade e estabelecer uma relação de confiança com o seu consumidor é essencial em qualquer venda online, mas em vendas para outros países isso é ainda mais importante. Por isso, é indicado ser transparente nas ações da sua loja, informando ao cliente que aquela é uma venda cross-border, assim como todos os custos envolvidos na operação.

Nos últimos meses, o marketplace AliExpress investiu fortemente na melhoria de detalhes sobre custos de frete, prazo de entrega e meios de pagamento.

 

Apesar de ter uma estimativa longa de prazo de entrega e até opções de custo do frete alto, o cliente sabe exatamente o que esperar. Assim, compra somente se estiver de acordo com essas condições e não se frustra posteriormente.

Para evitar problemas com danos e avarias, o lojista também deve assegurar o completo empacotamento do produto com embalagens resistentes e itens de proteção para que o item chegue intacto ao destino final, principalmente diante de todos os processos internacionais enfrentados durante o transporte.

Essa simples ação assegura não somente uma boa experiência de compra ao cliente, mas também evita prejuízos e custos com logística reversa.

Acordo de comércio eletrônico entre países do Mercosul facilitará cross-border

A crise do Covid-19 trouxe impactos e mudanças importantes nas transações comerciais virtuais. A pandemia impulsionou o comércio online mundial, acelerando também a necessidade de regulamentar a economia digital entre os países.

No início de 2021, os países que fazem parte do Mercosul assinaram um acordo que visa facilitar as transações digitais entre os países membro, sendo eles Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai. O acordo abrange desde a facilitação no comércio internacional, infraestrutura e acesso à internet até regras para a proteção do consumidor e do empreendedor em transações eletrônicas internacionais.

Com todas essas tendências e acontecimentos, é importante ficar de olho nesse mercado e estudar as possibilidades para sua loja virtual.

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